Carta de Repúdio do GT Psicologia, Política e Sexualidade da ANPEPP – Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia

por difama

Nós, pesquisadores/as, integrantes do Grupo de Trabalho Psicologia, Política e Sexualidade da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia – ANPEPP, vimos publicizar o nosso repúdio às manobras de distorção que representantes do parlamento brasileiro utilizando-se de discursos fundamentalistas religiosos e conservadores radicais vem fazendo aos pronunciamentos públicos de pesquisadora/es que representam produções científicas em psicologia no enfrentamento à homofobia e ao machismo.

Consideramos ser uma severa afronta social a maneira pela qual os questionamentos e posicionamentos da psicologia e psicanálise tem sido abordados e tendo os seus conteúdos modificados e editados. Em evento público promovido pelo Estado, o IX Seminário LGBT da Câmara dos Deputados, que foi sediado por duas comissões, a saber a Comissão de Direitos Humanos e Minorias e a Comissão de Educação e Cultura, a fala de uma profissional e doutora em Psicologia foi editada e deturpada e tem sido usada por específicos grupos com o intuito de aumentar o ódio e preconceito, a sua fala foi deturpada e tendenciosamente remetendo-a à grave infração penal que é a pedofilia. O seminário também contou com o apoio da Frente Parlamentar mista de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente e da Frente Parlamentar mista pela Cidadania LGBT. Esta é uma afronta à coletividade não apenas de psicóloga/os, mas a todas as autoridades científicas e políticas que vem travando debate sobre os direitos humanos de crianças e adolescentes.

Vimos publicamente reafirmar que a sexualidade na infância é um tema legítimo no conhecimento psicológico e tem sido uma importante ferramenta no enfrentamento contra o abuso sexual de crianças e adolescentes, bem como na promoção de compreensões não discriminatórias sobre a sexualidade e a construção de gênero na infância e na adolescência, com explícita rechaça a quaisquer formas de abuso e violência.


GT – Psicologia, Política e Sexualidade, 03 de setembro de 2012.

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